O setor de serviços surpreendeu positivamente, com uma alta de 1,2% em setembro, em relação a agosto com ajuste sazonal, após queda de 0,1% no mês anterior (dado revisado de 0,2%). O bom desempenho foi disseminado, com altas tanto nos serviços prestados às famílias, como naqueles prestados de empresa para empresa. Com o resultado e os saques do FGTS, a expectativa é de novas boas notícias vindas do segmento no quarto trimestre.

Na comparação com setembro de 2018, o setor de serviços registrou alta de 1,4%, impulsionada por dois dias úteis a mais neste ano. De janeiro a setembro, a alta acumulada é de 0,6% - de 0,7% em 12 meses. No terceiro trimestre, o setor registrou crescimento de 0,8%, em relação ao segundo trimestre com ajuste, após quedas de 0,4% e 0,3% no primeiro e segundo trimestres, respectivamente.

“O interessante desse resultado é que a surpresa não ficou somente por conta do número cheio, a abertura também foi muito favorável”, afirma Marcela Rocha, economista-chefe da Claritas Investimentos. A casa projetava avanço de 0,4% para o setor em setembro, na base mensal.

No mês, apenas serviços de informação e comunicação registraram variação negativa nessa comparação, de -1%. As outras quatro categorias apresentaram altas. “Isso é importante porque em setembro havia uma expectativa de melhora da atividade, mas muito concentrada em consumo, nos serviços prestados às famílias, devido aos saques do FGTS, inflação baixa e juros em trajetória cadente”, diz Marcela.

Para Luana Miranda, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), o bom desempenho dos serviços profissionais, administrativos e complementares foi o principal destaque positivo da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de setembro. No mês, a atividade registrou crescimento tanto em relação a agosto (1,8%, após ajuste sazonal) como na comparação anual (2,9%) e reduziu a perda no acumulado em 12 meses para -0,5%, ante -0,9% em agosto.

“Esses serviços profissionais são prestados por empresas para outras empresas. É importante, pois isso tem uma relação íntima com o mercado de trabalho”, observa Luana. Ela lembra que a categoria abrange tantos serviços de maior qualificação, como engenharia, quanto serviços como limpeza e vigilância. “O aquecimento nesse setor é bastante importante e significativo.”

Além de disseminada entre os ramos da atividade, a alta dos serviços em setembro deixa um carregamento estatístico de 0,8% para o quarto trimestre, destacou Fernando Montero, economista-chefe da corretora Tullett Prebon, em relatório. Este seria o crescimento do setor no quarto trimestre, em relação ao trimestre anterior com ajuste, caso a atividade se mantivesse de outubro a dezembro estável no mesmo nível de setembro. Montero destaca, porém, que o segmento ainda está 10,7% abaixo de seu pico, em novembro de 2014.

“Outro fator que não podemos comemorar é que o setor de serviços continua com comportamento muito errático, intercalando resultados positivos e negativos nos últimos meses, sem conseguir de fato consolidar uma tendência permanente de melhora”, afirma Marcela, da Claritas.

Já Luana, da FGV, pondera que, apesar de o setor ter voltado ao azul no acumulado de 12 meses neste ano, esse crescimento está “andando de lado”, sem conseguir acelerar. “Acredito que possa haver algum impulso no quarto trimestre devido ao incentivo da liberação de recursos do FGTS”, prevê a economista.

Para a Rosenberg Associados, em outubro, é possível que o setor mostre ligeira perda de fôlego, sendo compensada por expansões em novembro e dezembro, em parte, devido ao impulso da Black Friday. “Esperamos, assim, continuidade da recuperação cíclica do setor, acompanhando a economia, incentivada pela melhora das condições financeiras e do mercado de crédito, bem como do mercado de trabalho”, escrevem os economistas.

A MCM Consultores prevê preliminarmente queda de 0,1% dos serviços em outubro na comparação com setembro, e avanço de 1,4% em relação a outubro do ano passado. A consultoria manteve sua expectativa de alta de 0,4% do PIB no terceiro trimestre.
Fonte: Valor Econômico

 

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